Prefácio
J.M. ASHMAND, foi um acadêmico britânico, estudioso de grego e latim, tradutor e astrólogo que traduziu o Tetrabiblos em 1822.
De todas as ciências, sejam verdadeiras ou falsas, que em qualquer momento receberam a atenção do mundo, não há nenhuma cujos princípios reais ou presumidos sejam menos geralmente conhecidos, na era atual, do que os da Astrologia. Toda a doutrina desta ciência é comumente entendida como tendo sido completamente derrubada; e, ultimamente, as pessoas parecem estar satisfeitas em conhecer o significado do seu nome apenas. Tal ignorância conformista, em pessoas, inclusive as suficientemente informadas em outros aspectos, é ainda mais extraordinária, visto que a Astrologia desempenhou um papel de grande destaque ao longo da história do mundo, até mesmo em dias relativamente recentes.
No Oriente, onde surgiu pela primeira vez, num período de antiguidade muito remota 1 e de onde veio para subjugar o intelecto da Europa, ela ainda hoje detém domínio. Na Europa, e em todas as partes do mundo onde a erudição “imprimiu o solo humano”, a Astrologia reinou suprema até meados do século XVII. Ela adentrava os conselhos dos príncipes, guiava a política das nações e regia as ações diárias dos indivíduos. Tudo isso é atestado pelos registros de todas as nações que possuem uma história, e por nenhuma de forma mais completa do que pelos da Inglaterra.
No entanto, com esses fatos impressionantes diante de seus olhos, a geração atual parece nunca, até agora, ter inquirido sobre qual base essa crença de seus antepassados foi estabelecida, nem por qual autoridade a ilusão (se é que era uma) pôde ser apoiada por tantos séculos. Entre mil pessoas que agora tratam a menção da Astrologia com arrogante desdém, dificilmente há uma que saiba distintamente do que está rindo, ou sob que pretexto seus ancestrais deveriam ser desculpados por terem, em seu tempo, contemplado com respeito o objeto infeliz da zombaria moderna.
A falta geral de informação sobre esses pontos e a indiferença com que tal falta tem sido até agora encarada, não podem certamente ser atribuídas apenas ao atual descrédito da ciência; pois a humanidade geralmente tem, em cada era sucessiva, exercido grande empenho em rastrear todos os costumes anteriores, por mais triviais ou obsoletos que sejam, e em examinar toda sorte de crenças, por mais insignificantes ou errôneas que fossem, sempre que pareceu haver qualquer conexão marcante entre tais assuntos e os fatos históricos; e, uma vez que a astrologia está indiscutivelmente misturada intimamente à história, torna-se, portanto, necessário buscar alguma hipótese adicional, pela qual essa ignorância e indiferença possam ser explicadas.
Talvez a astrologia tenha sido concebida como tendo tido a mesma relação com a astronomia que a alquimia teve com a química. Se esta é a ideia, ela certamente foi adotada por erro, pois um químico moderno ainda é quase um alquimista: é verdade que ele não mais atrasa o seu trabalho em deferência aos planetas, nem tenta agora fabricar ouro, nem destilar o elixir da imortalidade terrena; mas, não obstante, ele ainda se vale, até certo ponto, das mesmas regras e dos mesmos meios que os do antigo alquimista: ele ainda está focado nos processos sutis da Natureza, e ainda a imita o máximo que pode. Ele reduz o diamante a carvão por uma operação análoga àquela pela qual o alquimista buscava transmutar chumbo em ouro; e ele difere principalmente do alquimista apenas por ter se assegurado de que há um ponto além do qual a Natureza proíbe os fac-símiles. Não tão ligeiramente, contudo, o astrônomo difere do astrólogo, mas toto cælo (completamente): o astrólogo considerava os corpos celestes e os seus movimentos meramente como o mecanismo com o qual ele deveria tecer o tecido das suas predições; e a astronomia não é mais uma parte integral da astrologia do que o tear é da teia que foi tecida por ele. Para se ter uma ideia do que era a alquimia, é suficiente ter uma ideia da química; mas a astronomia, por si só, nunca dará uma noção da astrologia, que requer consideração adicional e distinta.
Pode-se argumentar que, na atualidade, uma ideia geral dessa ciência passada e em desuso é perfeitamente suficiente para qualquer um que não seja declaradamente antiquário. Tal assertiva sem dúvida nunca seria controvertida, desde que a ideia geral proposta pudesse abranger a verdade. Mas a atual e real ideia geral da astrologia não é de forma alguma tão abrangente; de fato, nada pode ser mais impreciso, ou mesmo mais falso: ela parece ter sido adotada não a partir dos elementos da ciência em si, mas de observações triviais feitas por escritores contra a ciência; e consequentemente o mundo agora se admira com o lamentável defeito de entendimento que pôde alguma vez ter permitido a crença nela — esquecendo que a astrologia foi entregue à negligência, não em consequência de qualquer palpabilidade prima facie (à primeira vista) nas suas falácias imputadas, nem, de fato, de qualquer habilidade ou perspicácia especial por parte dos seus adversários professos, mas sim em consequência do crescimento repentino e espantoso de outras ciências inquestionáveis, com as quais presumiu-se ser incompatível, e que durante os milhares de anos do reinado da astrologia estavam por nascer, ou ainda adormecidas numa infância contínua2 .
As palavras “adversários professos”, que acabaram de ser usadas, obviamente não têm a intenção de serem aplicadas àqueles poderosos exploradores das leis da Natureza e dos poderes do homem que, na sua nobre carreira, podem ter feito uma incursão casual nas pretensões da astrologia. Diretamente engajados em buscas mais exatas, eles não pararam para dissecar essa sua presa casual, a qual, após ter sido assim atingida por águias, foi deixada para regalar corvos e gralhas, e estes, na sua loquacidade de banquete, acusaram as suas vítimas infelizes de crimes impossíveis de serem cometidos, e de ofensas que nunca haviam sido imaginadas. Das falhas reais da sua vítima, esses bípedes tagarelas parecem não ter se apercebido, ou, se estavam cientes, parecem tê-las considerado como não suficientemente proeminentes. E esta falta de franqueza ou de informação também não se limitou absolutamente à mera manada vulgar de escribas difamadores, pois mesmo o brilhante ensaio contra a astrologia, escrito por Voltaire (no seu desejo irreprimível de convencer o mundo de que era au fait - bem informado - em tudo), prova apenas que o escritor, embora o homem mais amplamente informado de seu tempo, havia se equivocado quanto aos pontos realmente vulneráveis do objeto de seu ataque.
O autor da presente tradução não tem a intenção agora nem de advogar nem de impugnar as doutrinas da ciência sobre a qual sua Tradução discorre: o seu propósito é outro. Ele tem aquele tipo de respeito “pelos mortos, que estão realmente mortos”, o qual, embora não o incline a “elogiá-los” “mais do que aos vivos, que ainda estão vivos”, é contudo suficiente para incitá-lo a tentar afastar a imputação de credulidade idiota, à qual a fé deles na astrologia parece agora sujeitá-los na opinião geral dos “vivos” esclarecidos. E, enquanto ele renuncia a qualquer ideia de presumir oferecer qualquer argumento para ambos os lados da questão, quanto à validade da ciência, ele deve ainda, ao mesmo tempo, confessar a sua admiração pela engenhosidade e pelo artifício manifestos na sua construção, e declarar a sua prontidão em acreditar que todas as suas harmonizadas complicações poderiam ter facilmente mantido domínio sobre algumas das mentes mais fortes naquele período mais sombrio em que ela floresceu.
Ao executar aqui o desejo de tentar reivindicar a antiga credibilidade na astrologia, uma dissertação elaborada seria certamente não apenas desnecessária, mas deslocada: parece suficiente remeter o leitor à obra da qual a seguinte é uma tradução, e a estes fatos indiscutíveis — que a ciência foi outrora inculcada pelas mais altas e mais eruditas autoridades do período — que era insistida por devotos em todas as partes do mundo, atestando e produzindo instâncias de sua verdade; — e, além disso, que ela foi tão fina e lindamente estruturada, a ponto de fazer com que a única deficiência de um pequeno, porém muito importante, elo em toda a sua cadeia de raciocínio, passasse deitada por mentes embotadas, e fosse prontamente suprida por um gênio entusiástico. Por séculos após séculos, todos os ramos do conhecimento foram ou feitos subservientes à astrologia, ou conduzidos em estreita aliança com ela; e muitos dos nomes ilustres que ela traz à nossa lembrança são reverenciados com gratidão até mesmo pela ciência moderna. O gênio de Roger Bacon, embora ele tenha sido o primeiro daquela escola de filosofia natural que não reconhece nada além de verdades experimentadas, esteve, no entanto, curvado às doutrinas da astrologia judicial; e o seu homônimo maior, que após um intervalo de vários séculos o sucedeu em dar a direção adequada à energia mental, foi ainda um argumentador a favor das influências celestiais: pode-se, portanto, inferir de forma justa que o encanto sutil que teve a força de cativar um material tão “duro”, não poderia ter sido de ordem fraca ou vulgar, mas que era suficientemente potente e refinado para interessar e divertir mesmo a era atual 3.
Neste pequeno volume encontrar-seá a totalidade dos elementos da astrologia e toda a base daqueles estupendos tomos em fólio e in-quarto sobre o mesmo assunto, que foram produzidos em miríades durante os séculos XVI e XVII, para a devida mistificação do mundo de então. O presente volume é dirigido igualmente ao leitor em geral, bem como ao devoto da astrologia pura, se algum houver; para o primeiro, oferece diversão; para o outro, deve conter o mais vivo interesse. Mesmo para o metafísico especulativo fornecerá alimento para a contemplação; pois, além de sua hipótese peculiar de causa e efeito, ele desenvolve muitas daquelas aparentes incongruências de caráter tão frequentemente unidas no mesmo indivíduo; e esse desenvolvimento, mesmo adaptado à doutrina das estrelas, ainda merece atenção; visto que os fenômenos dos quais trata (de qualquer maneira que possam ser produzidos ou regulados) permanecerão sempre em existência real.
A única tradução inglesa do Tetrabiblos de Ptolomeu, publicada até agora, parece ter sido apresentada pela primeira vez em 1701, sob o nome de “The Quadripartite”. Essa publicação há muito tempo foi retirada das vendas gerais; e a sua grosseira má interpretação do autor, causada pelo descuido ou ignorância de Whalley (primeiro tradutor do Tetrabiblos, em 1701) e de seus assistentes, por quem foi produzida, tornou a maioria de suas páginas ininteligíveis: sua ausência é, portanto, quase imperceptível. A segunda edição da mesma tradução, professando ser “revisada, corrigida e melhorada”, e publicada por Browne e Sibley, em 1786, não foi, em nenhum caso, purificada dos erros e obscuridades que desonraram a sua antecessora: ela parece, de fato, menos desculpável do que a edição anterior, da qual foi meramente uma reimpressão, sem ser corrigida de forma alguma, nem mesmo em certas erratas tipográficas que o impressor anterior tivera o zelo de apontar na sua página final. Mesmo esta segunda publicação, inútil como intrinsecamente é, raramente pode ser encontrada hoje em dia e, assim como a primeira, somente por um preço muito elevado.
A presente Tradução foi feita a partir da Paráfrase Grega de Proclo do texto original de Ptolomeu; a edição seguida é a dos Elzevir, datada de 1635 4 . Mas, no curso da tradução, contínuas referências foram feitas também a várias edições do texto original, a fim de averiguar a acepção correta de passagens duvidosas. As edições assim inspecionadas foram a de Camerarius, impressa em Nuremberg em 1535; a de Melancthon, impressa em Basileia em 1553; e a de Junctinus, impressa, com os seus próprios enormes comentários, em Lyon, em 1581. Independentemente dessas referências, a presente tradução foi cotejada com o latim de Leo Allatius e com duas outras traduções latinas: uma impressa em Basileia, juntamente com uma tradução do Almagesto em 1541; a outra por si só em Perugio, em 1646 5. O Tradutor dedicou todo esse extremo cuidado e atenção aos seus trabalhos, no desejo de transpor a doutrina astrojudicial de Ptolomeu para o inglês de forma tão pura e perfeita quanto possível; e, com a mesma visão, ele também acrescentou, num Apêndice, certos extratos de tais partes do Almagesto que se revelaram estar referenciadas no presente trabalho. Ilustrações adicionais são também dadas por notas reunidas do “Primum Mobile” de Placidus 6 , e de uma variedade de outras fontes de onde pudesse ser derivada qualquer elucidação do texto. Mesmo as “Anotações” de Whalley (para usar a sua própria designação grandiloquente) ocasionalmente renderam informações, não de todo sem importância, embora geralmente incompletas.
Parece impróprio fechar este Prefácio (apesar do volume que já alcançou), sem anexar a seguinte breve nota sobre a vida e as obras do grande homem de quem o Tetrabiblos emanou.
Cláudio Ptolomeu nasceu em Pelúsio, no Egito, e tornou-se um discípulo ilustre da escola de Alexandria, cidade na qual floresceu durante o reinado de Adriano e de Antonino Pio. A data de seu nascimento tem sido comumente atribuída ao 10º ano da era Cristã; mas a precisão desta data parece questionável; pois ele próprio anotou em uma parte de suas obras que Antonino reinou vinte e três anos. Ele deve, portanto, ter sobrevivido a esse príncipe; e, como não é provável que ele tenha continuado seus trabalhos científicos até depois dos noventa anos de idade, o que ele teria que fazer caso tivesse nascido por volta do ano 70, visto que Antonino morreu no ano de 161, parece que seu nascimento seria mais propriamente atribuído a um período posterior. Ademais, é afirmado pelos Árabes que ele morreu em seu 78º ano de idade; e uma declaração semelhante é também feita por Luca Gauricus, na dedicatória de sua versão do Almagesto7 a Dominico Palavicini: Gauricus, entretanto, colocou a sua morte no ano de 747, o que não concorda com o fato de ele ter sobrevivido a Antonino 8. À versão de Gauricus do Almagesto há também outra dedicatória, endereçada ao Papa Sisto, e composta por George Trapezuntius, descrevendo Ptolomeu como “regiâ stirpe oriundum” (oriundo de linhagem real), e explicando que ele tinha, “com uma mente verdadeiramente real”, aplicado a si mesmo às ciências, porque o antigo cetro dos Ptolomeus havia previamente passado para as mãos de Cleópatra, e porque o reino do Egito havia sido desde então reduzido ao estado de uma província romana. Os detalhes autênticos das circunstâncias da vida de Ptolomeu são, entretanto, extremamente poucos. Diz-se que ele foi distinguido entre os Gregos pelos epítetos “o mais sábio”, e “o mais divino”, em virtude de sua grande erudição; e, de acordo com o Prefácio à tradução de Whalley do Tetrabiblos, os Árabes relatam que “ele era extremamente abstêmio, e andava muito a cavalo”; acrescentando que, embora ele fosse “elegante no vestuário”, seu hálito, no entanto, não era notável por um odor agradável.
Os erros da teoria ptolemaica do universo já foram há muito descartados; mas há muitos pontos nos quais as ciências modernas, e a astronomia moderna em particular, colheram benefícios incalculáveis dos trabalhos e das pesquisas do seu grande fundador. Ele preservou e nos transmitiu as observações e principais descobertas de períodos mais remotos, e as enriqueceu e aumentou com as suas próprias. Ele corrigiu o catálogo das estrelas fixas de Hiparco, e formou tabelas para o cálculo e regulação dos movimentos do Sol, da Lua e dos planetas. Ele foi, de fato, o primeiro a coletar as observações dispersas e destacadas de Aristóteles, Hiparco, Posidônio e outros sobre a economia do mundo, e as digeriu num sistema, que ele expôs na sua Μεγαλη Συνταξις (Megale Syntaxis) ou Grande Construção, dividida em treze livros, e chamada, depois dele, de Sistema Ptolemaico. Nessa obra ele também trata da forma e das divisões da Terra, das ascensões retas e oblíquas dos corpos celestes, e dos movimentos do Sol, Lua e planetas; e fornece tabelas para encontrar as suas situações, latitudes, longitudes e movimentos: ele trata também de eclipses e dos métodos de computá-los; e discorre sobre as estrelas fixas, das quais ele fornece um numeroso catálogo, com suas magnitudes, latitudes e longitudes 9.
Foi verdadeiramente dito que “a ordem de Ptolomeu, falsa como era, capacitou os observadores a darem um relato plausível dos movimentos do Sol e da Lua, a preverem eclipses e a melhorarem a geografia” 10; ou, em outras palavras, que ela representava os fenômenos reais dos céus como eles realmente aparecem a um espectador na Terra. Fica claro, portanto, que a astrologia de Ptolomeu é tão aplicável à astronomia moderna e aprimorada quanto o era à sua própria 11.
No ano de 82712 a “Grande Construção” foi traduzida pelos Árabes para sua própria língua, e por eles comunicada à Europa. É através deles que ela tem sido usualmente conhecida pelo nome de Almagesto. No século XIII, o Imperador Frederico II mandou que ela fosse traduzida do árabe para o latim, e Sacrobosco 13 foi consequentemente capacitado a escrever sua famosa obra sobre a esfera. Não foi, porém, até quase o final do século XV que a “Grande Construção” foi traduzida para o latim a partir do texto original; e este importante serviço foi prestado à ciência por Purbach, um professor de filosofia em Viena, que aprendeu a língua grega por instigação do Cardeal Bessarion. Por meio desta tradução, as Efemérides de George Müller, cognominado Regiomontanus, um discípulo de Purbach, foram compostas pela primeira vez. O texto grego do Almagesto, ou Grande Construção, foi primeiramente publicado em Basileia, por Simon Grynæus, em 1538; e foi novamente impresso no mesmo local em 1551, com certas outras obras de Ptolomeu 14. O restante das obras de Ptolomeu conectadas à astronomia, e que ainda existem, são o Tetrabiblos, ou Quatro Livros sobre a Influência das Estrelas 15 (agora traduzido); o Centilóquio, ou Fruto dos Seus Quatro Livros, sendo uma espécie de suplemento ao primeiro; e as Significações das Estrelas Fixas. O último é meramente um calendário diário, mostrando o nascer e o ocaso das estrelas, e a natureza do clima produzida por elas. Estão também existentes a sua obra geográfica (que prestou importante serviço aos geógrafos modernos), e também seu célebre livro sobre a Harmônica, ou a Teoria do Som.
Proclo, a quem o mundo deve o texto melhorado do Tetrabiblos,16 nasceu em Constantinopla, no ano de 410. Ele estudou em Alexandria e em Atenas, e tornou-se muito eminente entre os Platônicos posteriores. Ele sucedeu Siriano, um filósofo célebre, na reitoria da escola Platônica em Atenas, e morreu lá em 485 17. Ele foi um autor muito prolífico, em poesia bem como em prosa. Entre as suas obras estão Hinos ao Sol, a Vênus e às Musas; Comentários sobre várias peças de Platão e sobre o Tetrabiblos de Ptolomeu 18; um Epítome ou Compêndio de todos os Preceitos Astronômicos demonstrados no Almagesto; e elementos de Teologia e Filosofia Natural. Ele esteve em disputa com os Cristãos sobre a questão da eternidade do mundo, a qual ele empreendeu provar em dezoito argumentos elaborados. Um escritor recente em uma determinada obra periódica identificou-o erroneamente com outro Proclo, que gozava das graças do Imperador Anastásio, e que destruiu os navios de Vitaliano, quando sediavam Constantinopla em 514, queimando-os com grandes espelhos de bronze, ou specula.
Notas de rodapé:
Notas de rodapé
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Sir Isaac Newton tem as seguintes observações sobre a origem da Astrologia: “Após o estudo da Astronomia ter sido iniciado para o uso da navegação, e os Egípcios, pelos nascimentos e poentes helíacos das estrelas, terem determinado a duração do ano solar de 365 dias, e por outras observações terem fixado os solstícios e formado as estrelas fixas em asterismos, tudo o que foi feito nos reinados de Ammon, Sesac, Orus e Memnon [cerca de 1000 a.C.], pode-se presumir que eles continuaram a observar os movimentos dos planetas, pois os nomearam com os nomes dos seus deuses; e Nechepsos, ou Nicepsos, Rei de Sais [772 a.C.], com a assistência de Petosíris, um sacerdote do Egito, inventou a astrologia, baseando-a nos aspectos dos planetas, e nas qualidades dos homens e mulheres a quem eles eram dedicados… e no início do reinado de Nabonassar, Rei da Babilônia… aqueles Egípcios que fugiram… levaram para lá o ano egípcio de 365 dias, e o estudo da astronomia e astrologia…” (Newton’s Chronology, pp. 251, 252). Novamente, na p. 327: “A prática de observar as estrelas começou no Egito nos dias de Ammon… e foi propagada de lá, no reinado de seu filho Sesac, para a África, Europa e Ásia, por conquista; e então Atlas formou a esfera dos Líbios [956 a.C.], e Quíron aquela dos Gregos [939 a.C.]… Mas a astrologia foi inventada no Egito por Nichepsos… e Petosíris, seu sacerdote… e propagada de lá para a Caldeia, onde Zoroastro, o legislador dos Magos, a encontrou…”. A “Antiga História Universal” (vol. 5, pp. 415-419) acrescenta que, no reinado de Gushtasp [Dario Histaspes], na Pérsia, floresceu o célebre astrólogo Gjamasp, cognominado Al Hakim (o sábio), conselheiro do rei e autor do livro Judicia Gjamaspis, contendo julgamentos sobre as conjunções planetárias (que previam o advento do Messias e de Maomé). Uma versão árabe da obra foi traduzida por Lali em 1280 d.C., sob o nome de Al Keranai. Os persas modernos continuam devotos da astrologia, usando a palavra manegjim (equivalente ao grego αστρολογος). Albumazar de Balch (aluno de Alkendi, professor na Bagdá do califa Almamoum no início do século IX) tornou-se mundialmente famoso. Ele descreve a constelação de Virgem segurando espigas de milho e alimentando uma criança, chamando-a de Adrenedefa (a Virgem pura), que traria um filho na terra de Abrie [a terra hebraica] chamado Eisi [Jesus]. Isso fez com que Albertus Magnus e o Cardeal d’Ailly associassem o nascimento de Cristo ao signo de Virgem. ↩
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A esta visão do caso, os seguintes comentários de um artigo de revista (Blackwood’s Magazine, Dezembro de 1821) parecem apropriados: “O estudo da própria astrologia, ao professar descobrir, pelos fenômenos celestes, as futuras mutações nos elementos e nos corpos terrestres, talvez não devesse ser desprezado (Sir Christopher Heydon’s Defence of Astrology, p. 2, ed. 1603). A teoria das marés, por exemplo, é inteiramente uma doutrina astrológica, e, muito antes dos dias de Sir Isaac Newton, era tão bem compreendida quanto é neste momento. A correspondência, alegada pelos médicos antigos como existente entre as posições da Lua e os estágios de várias doenças, está tão longe de ser rejeitada pela faculdade moderna, que tem sido abertamente mantida…” (Mead on the Influence of the Sun and Moon; Balfour on Sol-Lunar Influence). ↩
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Na Quarterly Review (Nº 51, Artigo “Astrology and Alchymy”), são feitas as seguintes observações: “Certamente, se o homem pode em algum momento fundar a sua glória nas realizações da sua sabedoria, ele pode razoavelmente exultar nas descobertas da astronomia; mas o conhecimento que nos é útil foi criado unicamente pelos absurdos que ele extirpou. O engano tornou-se a base da verdade. Horóscopos e natividades nos ensinaram a situar o planeta no seu caminho seguro e silencioso; e as aquisições que, de todas as outras, agora testificam a pujança do intelecto humano, derivaram a sua origem da fraqueza e da credulidade (p. 181). […] A astrologia, como a alquimia, não extrai proteção da razão sóbria; contudo, com toda a sua vaidade e inatividade, não era uma fraqueza corruptora. Sinais, predições, prognósticos, possuem uma realidade psicológica…”. ↩
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Esta edição Elzevir de 1635 foi impressa em duas colunas (a Paráfrase Grega de Proclo e a tradução latina de Leo Allatius). William Lilly escreveu em 1647: “De fato, Ptolomeu tem sido impresso em fólio, em quarto, em oitavo, em dezesseis; mas aquele recentemente impresso em Leiden [onde os Elzevir estavam estabelecidos] concebo ser o mais exato; foi realizado por Allatius.”. Um endereço anônimo ao leitor latino explica que Allatius (grego de nascimento e curador da Biblioteca do Vaticano sob o Papa Alexandre VII) traduzira a obra em Roma para a sua satisfação particular e de amigos. O manuscrito chegou a Veneza e foi posteriormente impresso pelos Elzevir. Discorre também sobre o poder das estrelas sobre a atmosfera, alertando o leitor a não crer em prognósticos vãos que submetam o livre-arbítrio ou coisas divinas ao império celeste (conforme demonstrado por Pico della Mirandola). ↩
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Esta tradução da imprensa de Perugio foi útil ao apresentar leituras variadas, mas não possui outro mérito peculiar, professando traduzir diretamente o texto original grego de Ptolomeu, assim como a versão de Basileia. ↩
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Seu nome era Didacus Placidus de Titis. Natural de Bolonha, monge e Matemático do Arquiduque Leopoldo Guilherme da Áustria, escreveu na primeira metade do século XVII. Sua obra, Primum Mobile, é considerada a aplicação prática mais bem-sucedida das regras astrológicas de Ptolomeu. ↩
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Impressa em Basileia, em 1541. ↩
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Extraído do Biographical Dictionary de Chalmers. ↩
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Na França, no início do século XVI, Oronce Finé, sob o patrocínio de Francisco I, tentou construir um relógio astronômico baseado nos princípios de Ptolomeu. Na obra Catalogue of Astrological Authors de Lilly, Finé é mencionado como autor de um tratado sobre as doze casas celestes impresso em Paris em 1553. ↩
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Extraído da obra Spectacle de la Nature. ↩
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A objeção de que a precessão dos equinócios invalida as influências dos signos não se sustenta. Ptolomeu preveniu isso no Capítulo 25 do Livro I. Ele deixou claro que as influências atribuídas aos doze signos pertencem aos lugares ou espaços de 30 graus que eles ocupavam na eclíptica, e não às constelações físicas de estrelas em si. Ele declarou que o ponto do equinócio vernal é sempre o início do zodíaco (0° de Áries). ↩
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Alguns cronologistas franceses datam em 813, mas 827 é o ano aceito por historiadores ingleses. ↩
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John Holywood (eufeonizado em Paris como Sacrobosco), frade e matemático de Yorkshire, professor na Universidade de Paris, faleceu em 1256. ↩
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Chalmers’ Biographical Dictionary. O Tetrabiblos estava incluído nessas obras. ↩
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Detalhes da Bibliotheca Græca de Fabricius (Livro IV, Cap. XIV) sobre a publicação do Tetrabiblos na Europa: Camerarius (1535), Melancthon (1553), a versão latina bárbara de Ægidius Tebaldinus feita a partir de uma tradução espanhola encomendada pelo Rei Afonso de Castela, a tradução de Antonius Gogava em 1548, o Comentário de Cardano, e a exegese de Demófilo. O texto cita que Demófilo refere-se a Nechepsos e Petosíris como os primeiros a explicar a prognosticação pela Astrologia. ↩
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A Paráfrase de Proclo é considerada superior porque o próprio Melancthon, após ter corrigido o suposto texto original grego em 1553, decidiu publicar a Paráfrase de Proclo no ano seguinte (1554), reconhecendo sua maior precisão e clareza. ↩
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Extraído de Chalmers’ Biographical Dictionary. ↩
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Este Comentário de Proclo ao Tetrabiblos é inteiramente distinto da Paráfrase que ele realizou. ↩
